APERTA FORTE!!!

Manobras muito fortes e prolongadas em regiões doloridas podem deixá-lo com mais dor.

Não é de hoje que ouço algumas pessoas dizerem que gostam de sua massagem forte ou que acham que massagem deve ser forte. Principalmente quando a técnica em questão é shiatsu. Mas será que as massagens precisam realmente ser aplicadas com força?

Ainda me lembro de quando, durante minha formação em shiatsu, uma de minhas colegas comentou sobre uma drenagem linfática que havia recebido há um tempo. A criatura que a atendeu usou tanta força, que ao sair da sessão apresentava alguns hematomas pelo corpo. Para quem não conhece drenagem linfática, trata-se de uma técnica aplicada com movimentos suaves altamente relaxantes que facilmente o fazem dormir (embora não seja esse o objetivo). Ao aplicar uma força suficiente para deixar marcas no corpo, a profissional não somente machucou sua cliente, como também aplicou a técnica de maneira incorreta. E se você já curte uma forcinha a mais e desconhece a técnica, ainda acaba voltando e pagando por algo que sequer está proporcionando o resultado devido. Aí você me pergunta: mas algumas técnicas precisam ser fortes, não?  A resposta é sim e não.

Há técnicas que precisam ser aplicadas com força? Sim, há. Porém, e aqui está a parte referente ao “não”, essa força SEMPRE deverá ser relativa à constituição da pessoa que está sendo atendida. É sempre necessário observar se a pessoa é magra ou fortinha, jovem ou idosa, mulher ou homem…Sem falar se ela apresenta alguma condição especial, como fibromialgia, osteoporose, hérnia de disco, entre outras. Para isso é que, entre outros motivos, serve a avaliação/anamnese realizada antes do início da sessão. Há patologias articulares ou musculares que não são observáveis.

Agora, claro que todas as massagens propriamente ditas, e aqui excluo drenagem linfática, requerem um certo nível de força, pois elas visam atingir basicamente os músculos. Para chegar aos músculos é preciso um pouco de força. Do contrário, estaríamos fazendo apenas carinho no cliente. Mas como eu disse antes, é preciso moderar essa força. A intensidade da pressão que você sente deve SEMPRE ser SUPORTÁVEL. De que adianta estar pagando por uma massagem relaxante, se ao mesmo tempo se vê agarrado ao lençol ou à toalha tamanho o incômodo que sente? Quando o profissional lhe pede que avise se a pressão estiver muito forte, é para avisar mesmo.    Não fique constrangido, pois quem sofrerá com os efeitos é você mesmo. Assim, fale. Às vezes, o cliente não comenta sobre o que está sentindo, mas o massagista mais atento percebe que a pressão está excessiva pelas reações corporais (o cliente se encolhe, segura alguma coisa da maca,  treme, tensiona alguma região, etc.). Nem todos os profissionais, contudo, prestam atenção a isso. Mas será que ao aplicar uma força menor não se estará descaracterizando a técnica?

Toda técnica tem sua característica mais marcante. O shiatsu, por exemplo, a pressão dos dedos. Ao aplicar uma pressão leve estarei descaracterizando meu atendimento com shiatsu? Depende. Se chegar ao ponto de o profissional estar mais encostando o dedo no cliente do que pressionando, então cabe fazer esta pergunta: essa pessoa deveria estar recebendo shiatsu? É importante que a pessoa saiba que tipo de atendimento receberá e que o profissional tenha o bom senso e o profissionalismo suficientes para ou não atender o cliente ou sugerir atendimento com outra técnica mais adequada. Eu mesma passei por essa situação há um mês. Percebi que o terapeuta ficou levemente constrangido em sugerir uma alternativa (pelo menos assim me pareceu). No entanto, ele era o profissional ali. Ele, melhor do que eu, deveria saber o que poderia ou não ser feito. E assim sendo, aceitei sua sugestão. E se mesmo aplicando a pressão correta eu sentir dor? Isso é certo?

Sentir dor logo após uma sessão de massagem ou mesmo no dia seguinte pode ser normal em alguns casos. Se você buscou um tratamento para uma dor muscular aguda, é perfeitamente normal que a região incomode um pouco devido às manobras no local. Toda musculatura retesada reagirá a pressões/aplicações de força. Mas isso faz parte do processo de melhora. O que não seria normal é dias depois você ainda estar com dor devido à massagem. Ou ainda piorar devido à massagem (e nessa situação há coisas a se considerar). Em caso de dúvida, entre em contato com o profissional que o atendeu. Descreva seus sintomas e verifique se suas reações são normais (em vez de simplesmente não ser mais atendido por esse profissional). Custa bem menos conversar com o massagista do que ir à farmácia e gastar com um relaxante muscular.

Seja shiatsu, massagem sueca, massagem ayurvédica ou qualquer outra, a pressão sempre deverá obedecer aos limites do corpo da pessoa e não simplesmente suas preferências. Ainda que você goste de uma massagem com bastante intensidade, se a força for excessiva, o que deveria ser prazeroso ou terapêutico acabará sendo um incômodo e o pobre massagista é quem levará a culpa (mesmo tendo feito apenas aquilo que VOCÊ pediu). Assim, a palavra-chave nesta questão de força na massagem é “bom senso” . Bom senso para medir a força, para atender a solicitação do cliente e para aplicar ou não a técnica.

Entendendo massagem


Ok. Quando você pensa em massagem ou alguém lhe fala sobre massagem é mais ou menos esta a imagem que vem à mente?

Pode não ser exatamente essa a imagem que lhe ocorre, mas ela tem tudo a ver: algo que transporta você a outro lugar e útil exclusivamente para relaxamento. E se eu dissesse que tem muito a ver com isto:

Ao contrário do que a grande maioria dos brasileiros pensa, massagem não é meramente um mimo ou uma frescura. Não é algo destinado apenas à classe A; não é uma “esfregação” no corpo que visa unicamente seu relaxamento ou fazer as pessoas dormirem (e mesmo para isso há quem duvide que uma massagem funcione de fato). Muito da ideia reinante de que massagem serve para o simples relaxamento vem da associação que se faz no Brasil entre massagem e spas. Você pensa em massagem, logo pensa em spa. E spas focam em grande parte relaxamento. Essa associação é reforçada por propagandas, anúncios, filmes, séries e etc. E se você não se importa muito com relaxamento (e muita gente não se importa), por que fazer massagem? Que perda de tempo pagar para ficar deitado, ouvir uma musiquinha chata, sentir um “cheirinho” e ter alguém esfregando seu corpo! Mas esse é somente um lado da massagem. E, infelizmente, é o único que muita gente conhece e que é divulgado e enfocado. Qual seria o outro lado?

O outro lado seria o de um modo real, comprovado e eficaz de tratamento. De algo complexo que requer estudo, prática e conhecimento apropriado. A massagem sempre fez parte da medicina tradicional de determinadas culturas (como a indiana)  e ainda é usada para o fim de tratamentos. A própria massagem sueca, altamente terapêutica, pode amenizar dores musculares, prevenir a evolução de dores existentes ou a formação da dor e mesmo tratar dores. E ainda que tudo isso seja divulgado e abordado em sites sem fim na Internet, permanece a resistência a aceitar a ideia de que isso é sério e verdadeiro. Por quê? Por três fatores: 1) nossa sociedade prefere confiar em medicamentos alopáticos (os de farmácia) para tudo; 2) a permanência do foco em relaxamento e excesso, às vezes, de foco na questão energética, desacreditada por muitos; 3) “sabotagem” por profissionais da área médica.

É fato que muitas pessoas preferem ainda gastar dinheiro com medicamentos que muitas vezes não tratam o problema, mas simplesmente ocultam os sintomas  e ainda prejudicam outras partes do corpo ou órgãos, obrigando a pessoa a, em algumas situações, tomar um medicamento para outro medicamento. Vide os que prejudicam o estômago ou o fígado. Não estou aqui para dizer a você que não tome mais remédios. Em alguns casos, eles são, sim, necessários. Cada caso é sempre um caso. A questão é todos os casos serem tratados como o mesmo caso, ou seja, tudo se resolverá com medicamento. E um medicamento que ataca o sintoma, não a causa. Quer dizer, seu problema pode até diminuir, mas acaba voltando. A preferência pelas drogas farmacêuticas deve-se em grande parte ao alívio imediato que elas prometem, mas que nem sempre perdura. Lembrando novamente dos efeitos colaterais que ainda podem existir. Com a massagem, algumas dores (afinal ninguém aqui faz milagre e, como disse, para algumas situações é necessário recorrer à alopatia) são amenizadas e/ou tratadas de maneira natural, ou seja, sem a ingestão de componentes químicos. Puramente por trabalho corporal (aplicação de força e pressão manuais , por exemplo) e, quando necessário, por meio de alguns outros recursos. Mas como acreditar nisso, não é? Como acreditar que mãos e/ou outros recursos, às vezes, naturais podem exercer o mesmo efeito da química contida nos comprimidos? Como, se massagem serve para você dormir? Acredite, a indústria farmacêutica agradece por você se sentir e pensar assim.

O segundo e terceiro pontos, foco em relaxamento e “sabotagem”, estão interligados. Somos bombardeados com imagens de sessões de massagem que ocorrem em salas belamente decoradas e aromatizadas, onde alguém é mostrado deitado em uma maca de olhos fechados dormindo, sorrindo ou expressando relaxamento. Veja bem, não estou dizendo que massagem não relaxa. Ela pode proporcionar um grande relaxamento físico e emocional (os detalhes disso discutiremos posteriormente em outro post), mas seu alcance vai muito além disso. Não, não estou me referindo aqui a outros planos, dimensões, corpos e todo este “papo transcendental” que muitas pessoas abominam. Embora esta seja também outra imagem associada à figura do massagista/terapeuta: a de pseudo-guru.  Estou me referindo à capacidade de melhora real e, em alguns casos, total de quadros de dor, entre eles os de dor muscular (que por si só por podem ser um enooooorme incômodo).  Mas por que as pessoas relutam em procurar os profissionais da área para isso ou relutam em acreditar nisso? Contrário do que ocorre no Canadá,  por exemplo, onde massagistas são profissionais certificados, respeitados e têm liberdade para divulgar seus atendimentos como terapêuticos, aqui no Brasil os massagistas têm até mesmo sua terminologia restringida. Não podemos utilizar algumas palavras em anúncios, folhetos, textos publicitários e etc. porque pertencem ao campo médico. Mas o motivo não é simplesmente esse. O motivo real e implícito é que as pessoas não pensem que somos médicos e, mais importante, deixem de consultar os médicos para se tratarem conosco. Ora, convenhamos que isso é um absurdo. Nenhum massagista profissional pensa que pode substituir um médico e nenhum médico deixará de ter pacientes porque alguns casos podem ser tratados com massagem. Cada um tem seu quinhão. Há patologias que precisam e devem ser tratadas por médicos. Mas as pessoas são ambiciosas. Não se engane: alguns não visam o bem-estar da pessoa atendida, mas sim a possibilidade de ganhar mais dinheiro ao restringir a aplicação de algumas técnicas, como a de acupuntura (que até os anos de 1970 era vista praticamente como xamanismo pelos médicos no Brasil).  Ao limitarem a maneira como podemos nos expressar e o que podemos dizer das técnicas com que trabalhamos, que resta, senão enfocar a questão toda no aspecto relaxante? Enfocar no combate ao estresse? Mas o estresse também gera sintomas físicos! O cliente, então, chega para uma massagem e o profissional que o atende fala que além de deixá-lo mais calmo, pode também tratar sua enxaqueca. O cliente sorri, mas no fundo é descrente. Isso até que, como várias outras pessoas, comprova a eficácia da “simples massagem” para a amenização ou eliminação de sua dor.

Ao longo das páginas deste blog, exploraremos cada vez mais os vários aspectos envolvidos no mundo da massagem, sempre enfocando questões voltadas para você, cliente ou futuro cliente. Nossa missão aqui, relembrando, é quebrar alguns mitos em torno do que é massagem, ampliar o entendimento do que os tratamentos podem realmente fazer por você, ajudá-lo a encontrar a técnica certa e, claro, tirar dúvidas. Sinta-se a vontade para perguntar. E fica aqui um dever de casa: na próxima vez em que ler sobre os benefícios de uma técnica, dê uma chance. Você pode estar desperdiçando uma ótima oportunidade de melhora de maneira que não prejudique seu corpo e/ou organismo.

 

Bem-vindos

Olá.

Antes de mais nada, bem-vindos ao Vai uma massagem?

O objetivo principal deste blog é fornecer informações que possam guiar pessoas interessadas em receber massagem em relação a questões variadas referentes ao assunto. Desde descrições sobre os tipos existentes de massagem a como escolher um massagista/terapeuta.

Como objetivo secundário, trataremos de questões como “por que receber massagem?” e “afinal, quais sãos os benefícios da massagem?” (que, contrário do que a grande maioria pensa, não serve “apenas” para relaxamento).

Nosso objetivo final será acabar com o mito de que massagem é algo que pertence exclusivamente ao âmbito zen, que trata-se de frescura ou de que é algo somente para pessoas de boa condição social.

Fiquem todos à vontade para fazer perguntas, escrever comentários e esclarecer dúvidas.

Receber uma massagem é uma experiência sensacional. Espero que este blog seja o primeiro passo para que você tome parte nessa experiência.

Boa leitura 🙂