Massagem e seus vários profissionais

Terapeuta holístico realizando equilíbrio dos chacras com uso de cristais e pêndulo.

Existe hoje toda uma coleção de títulos para quem atua na área de massagem ou terapias corporais. E o mais sensato seria que cada profissional optasse (na falta de um registro e órgão de regulamentação) por aquele que melhor descrevesse sua atividade, de maneira que mantivesse uma coerência e facilitasse a vida dos clientes no momento em que buscassem um atendimento. No entanto, a coisa não funciona “bem” assim, e o resultado é uma bagunça que só parece confundir as pessoas.

Atualmente, temos terapeutas corporais, massagistas, massoterapeutas, terapeutas holísticos e agora até terapeuta complementar. Poucos se dizem massagistas, embora o foco do seu trabalho seja massagem, devido à conotação que a palavra “massagista” adquiriu há algum tempo. Por esse motivo, a maioria prefere se intitular como massoterapeuta, embora  essa também seja uma palavra que possa dar margem a interpretações erradas pelos mesmos motivos citados anteriores. Uma alternativa foi passar a usar o título de terapeuta corporal, embora “terapeuta corporal” possa abranger técnicas que não sejam necessariamente massagem. Como entre essas técnicas que não estão relacionadas a massagem estão as que visam, por exemplo, tratar a pessoa de um ponto de vista mais energético e até espiritualizado envolvendo corpo e mente, surgiu o termo “terapeuta holístico”. Todo mundo trabalhando no que com o tempo passou a ser chamado de Terapias Alternativas. O nome, porém, foi descartado pelos profissionais da área por indicar algo que seria feito em contraposição a tratamentos alopáticos, o que não é a ideia dos terapeutas. A ideia é que esses tratamentos fossem um complemento, surgindo a partir disso o termo Terapias Complementares. Mas as separações continuam muito enevoadas, gerando uma confusão que, muitas vezes, faz com que o cliente perceba tudo como uma única coisa e afastando-o de um tratamento que poderia ser extremamente benéfico. A palavra “holístico” chega a algumas pessoas como algo muito zen e fortemente conectado à questão de espiritualidade. E elas não confiam em algo desse caráter para tratar de dores musculares ou mesmo no profissional que aplica o tratamento, porque tampouco confiam que tenha o conhecimento necessário para um tratamento (daí acharem, algumas vezes, que o ideal é procurar um fisioterapeuta).

A acupuntura geralmente é uma categoria própria, mas por não ser massagem é considerada terapia corporal ou ainda holística, já que trabalha com energia.

A inexistência, como disse anteriormente, de um registro ou controle de formação dos profissionais da área somente colabora para a continuidade desta confusão de títulos que, ainda por cima, é reforçada pelos próprios profissionais.

Em uma tentativa para esclarecer esses títulos, faremos abaixo uma distinção do que seria cada coisa ao nosso ver. Esta distinção não é definitiva, mas deve servir como guia para os que têm dúvidas quanto a qual tipo de profissional buscar.

TERAPEUTA CORPORAL

Trabalha com técnicas de massagem e outras que visam o bem-estar corporal, mas não necessariamente por meio de massagem. Por exemplo, um profissional que trabalha com massagem relaxante e acupuntura ou yogaterapia.

Terapeuta corporal é um título que passou a ser adotado como alternativa a “massagista”, que pode gerar interpretações errôneas.

TERAPEUTA HOLÍSTICO

Trabalha com técnicas de massagem e outras que visam o bem-estar corporal por meio de trabalho energético. Alguns atuam com somente uma técnica de massagem, preferindo outras mais focadas no lado espiritual, mental e até psicológico das pessoas. A grande questão aqui é energia. Por exemplo, reiki, terapia com cristais, pêndulos e massagem bioenergética. Alguns classificam a acupuntura também como terapia holística devido à base da MTC (Medicina Tradicional Chinesa) se fundamentar em energias.

A massagem clássica é acima de tudo terapêutica e, portanto, requer do profissional uma postura mais semelhante a de um fisioterapeuta e conhecimento de anatomia.

MASSAGISTA/MASSOTERAPEUTA

Trabalha com técnicas de massagem, embora a formação em massoterapia inclua alguns estilos que poderiam ser vistos como holísticos (ayurveda, por exemplo). O massagista propriamente dito é aquele com trabalho focado na parte terapêutica, ou seja, é aquele cujo trabalho está voltado para o tratamento de dores. Ainda não há regulamentação para uso do título, mas devido ao caráter de seu serviço, o conhecimento de anatomia dos músculos e articulações é fundamental. É esse o profissional que você deveria procurar se deseja um tratamento mais “pé no chão” e objetivo, digamos assim.  É a opção também para quem foge do ambiente a la spa, pois mantém tudo simples focado no objetivo desejado, o alívio da dor.

TERAPEUTA COMPLEMENTAR

Vi esse termo apenas recentemente em um post no Facebook de uma clínica de massagem. Ainda que se fale em terapia complementar, acho preferível o uso de “terapeuta corporal”. O ponto é que “terapeuta complementar” estava sendo usado como sinônimo para “massoterapeuta”. Oras, por que então não manter o título de massoterapeuta que, sinceramente, confere mais status e respeitabilidade ao profissional? Para um leigo, “complementar” e “alternativo” é tudo a mesma coisa. Isso quando a pessoa souber do que se trata uma “terapia complementar”.

Espero que um dia alguém finalmente coloque ordem na casa e, pela organização de sindicatos ou órgãos adequados, se determine quem está classificado para se intitular do que for. Isso realmente não apenas esclarecerá a questão aos clientes, mas também protegerá a profissão e garantirá uma qualidade melhor nos atendimentos.

 

Anúncios

Terapeuta ou guru?

Muitas vezes, a imagem que as pessoas têm do terapeuta é quase a de um hippie metido a guru.

Um dos maiores obstáculos que vejo hoje para a popularização da massagem é poder percebê-la e aceitá-la como o que é: uma terapia.

A massagem é usada há séculos na cultura indiana, por exemplo, como um método de tratamento integrante do seu sistema terapêutico, o Ayurveda. Além disso, a técnica de massagem mais popular e difundida no ocidente (especialmente na Europa), a massagem sueca, foi desenvolvida justamente para atender ginastas com lesões.

Receber sessões de massagem com regularidade é altamente indicado para melhorar a circulação sanguínea, estimular o sistema linfático, acelerar o metabolismo, aliviar tensões musculares, tratar desequilíbrios de origem ocupacional (LER), melhorar a qualidade do sono, entre outros benefícios. Ainda assim, há uma resistência aos tratamentos que não tem base unicamente na questão do valor individual da sessão. Muitas vezes, essa resistência está na própria imagem que as pessoas têm de quem as atende.

Que imagem seria essa? A de que o terapeuta é um pseudo-guru. Alguém que “vem cheio” de papinhos sobre alinhamento de chacras, meditação, espiritualidade, campos energéticos e etc. Tudo isso, na cabeça da grande maioria da população, está muito relacionado a religião e/ou filosofias espirituais. Isso, na cabeça dessas mesmas pessoas, são elementos desassociados de um tratamento de saúde, tal como é concebido no ocidente, ou seja, algo objetivo e fundamentado no físico, em anatomia. Naturalmente que algumas emoções de fato influenciam nosso estado físico, e isso é reconhecido até por nossa medicina. O problema é quando um terapeuta diz a seu cliente que ele precisa fazer a meditação XYZ focada no chacra PXZ para reequilibrar sua saúde. Muitos clientes não levariam a sério, tampouco retornariam.

Minha intenção não é jogar pedras nos terapeutas que trabalham, por exemplo, com chacras ou questionar a existência de chacras. O ponto é que se há de deixar bem claro quem faz o quê e que massagem não pode ser associada imediatamente a esses tipos de terapias mais holísticas (tratam a pessoa como um todo, considerando a ligação entre mente e corpo). Hoje há toda uma confusão que só é intensificada pela proliferação de títulos dos profissionais que atuam na área: terapeuta corporal, terapeuta holístico, massoterapeuta, massagista e agora até mesmo terapeuta complementar. Pessoas leigas (90% da população)  ficam extremamente desorientadas diante de todos esses títulos. E como muitos profissionais que trabalham com massagem acabam, em algum ponto, incorporando terapias holísticas (por exemplo, terapias com cristais) a seu trabalho, fica cada vez mais complicado separar as coisas. Se por um lado, então, você tem os spas mostrando que massagem aparentemente restringe-se a relaxamento, por outro você tem alguns profissionais da área conferindo uma aura quase mística à coisa. Isso é ruim para quem trabalha com a massagem em sua forma mais terapêutica e objetiva e ruim para algumas pessoas que poderiam se beneficiar muito do tratamento, mas fogem diante da descrença gerada pela descrição zen.

Como cliente que procura um massagista para tratar desequilíbrios ocupacionais (uma tendinite causada pelo usoconstante de computador, por exemplo), você desconfia da habilidade de alguém que fala em energia, canais sutis e etc. para tratar de algo tão concreto. Algo que requer conhecimento de anatomia humana para o tratamento adequado. E não raramente clientes saem de sessões com a mesma dor que chegaram porque o profissional não soube trabalhar a área necessitada ou a ignorou. Uma dor de cabeça muitas vezes tem como causa o encurtamento e/ou tensão de músculos na região do pescoço e dos ombros. Se você não conhece esses músculos e como estão interligados, a chance de essa pessoa continuar com a dor de cabeça é grande.

Qual a solução para o cliente que busca um tratamento mais objetivo? Primeiro, saiba escolher o tratamento correto. Se você não conhece as técnicas de massagem que existem e tomou conhecimento de alguma que lhe pareceu interessante, procure informações sobre ela. A internet está cheia de blogs, sites e páginas no Facebook sobre massagem. De nada adianta alguém apresentar uma sala lindamente decorada com flores, velas e etc. se o tratamento não for o indicado para você. Está com dor? Procure um massagista/terapeuta corporal que atenda com técnicas mais terapêuticas. Entre elas: massagem esportiva, massagem sueca e shiatsu.

Posteriormente, em outro post, apresentaremos a diferença entre todos os tipos de terapeuta que atuam hoje no mercado. Por ora, saiba que nem todos os massagistas são gurus ou têm essa pretensão. Você pode receber alguma dica referente a alimentação, posturas, estresse e atividades, mas tudo isso estará dentro de um conceito mais ocidentalizado. A menos, claro, que você esteja aberto a outros tipos de dicas.

O importante é não privar-se de um tratamento que pode ser altamente benéfico a você, proporcionando uma qualidade de vida melhor e com isenção de medicamentos.