Massagem com o profissional certo

Há uma enorme diferença entre esteticista e massagista. Cada um com sua função, a menos que o profissional tenha qualificação para tal.

Há uma enorme diferença entre esteticista e massagista. Cada um com sua função, a menos que o profissional tenha qualificação para tal.

Ainda recordo-me de quando estava iniciando um novo curso no SENAC, e as alunas começaram a contar algumas de suas experiências em locais de trabalho como salões de beleza e afins. Ao mesmo tempo, uma amiga já havia comentado sobre uma cabeleireira que havia sido colocada para atender clientes de massagem em uma ilha de quick massage após umas poucas instruções sobre como trabalhar. E esta prática é comum devido à falta de regulamentação da área de trabalho, ou seja, você tem profissionais da área de beleza e estética atuando como massoterapeutas com base em orientações de poucos minutos.

As alunas do SENAC comentavam sobre como em salões de beleza, algumas esteticistas “aprendiam” em meia hora técnicas de massagem com uma massagista, tendo clientes agendados, às vezes, no mesmo dia. Isso é o fruto não somente da falta de regulamentação da profissão, mas também da ganância desses espaços, que preferem optar por disponibilizar um profissional desqualificado a um profissional formado, mas ao qual teriam de pagar um pouco mais.

Os clientes, naturalmente, desconhecem qualquer coisa referente à legislação da profissão de massagem e acreditam no profissional disponibilizado pelo local, ou seja, acreditando que o local emprega apenas pessoas qualificadas. Com exceção de algumas pessoas em situações financeiras complicadas e que aceitam trabalhar por valores ínfimos, profissionais de boa formação se recusam a trabalhar em salões de beleza ganhando menos de 20,00 por sessão. Assim que se o local oferece sessões por 25,00, isso já é motivo para desconfiar da qualidade do serviço prestado e de quem o presta.

Massagem, ao contrário do que muita gente pensa, não consiste em simplesmente esfregar as mãos pelo corpo do cliente. A boa massagem requer técnica, “mãos boas” e conhecimento de anatomia. É o que sempre digo: trata-se de alguém mexendo no seu corpo. E isso deveria ser o bastante para você pensar duas vezes a quem dará essa permissão. Trabalhar a cadeia de músculos errada e/ou de maneira errada poderá ter suas consequências. Principalmente se o cliente apresenta alguma contraindicação. Se terapeutas ditos sérios não se incomodam em fazer avaliações pré-sessão, quem dirá um cabeleireiro, por exemplo. A esteticista acostumada a fazer avaliações para limpeza de pele não está qualificada a fazer massagem, exceto se tiver formação específica para tal.

A parte mais difícil disso tudo é como o cliente poderá identificar se a pessoa que o atenderá está ou não qualificada.  Talvez a melhor maneira seja fazendo alguma pergunta sobre a técnica aplicada (o tipo de massagem a ser recebido) ou sondando se algum problema de coluna ou semelhante é contraindicado à técnica em questão. A pessoa com conhecimento ínfimo e que recebeu treinamento “express” certamente não demonstrará muita segurança na hora de responder essas questões, principalmente se forem coisas mais específicas.

Já é suficientemente preocupante que os espaços em geral não consultem o cliente quanto a possíveis contraindicações no momento da marcação da sessão. Quem dirá, então, se a técnica for aplicada por alguém qualificado para outro tipo de função. E esse é o ponto; não o fato de a pessoa ser esteticista ou qualquer outra coisa. Se mesmo profissionais muito próximos não têm as mesmas atribuições, como um técnico de nutrição e um nutricionista, quem dirá outros com focos de atuação diferentes.

Infelizmente sempre haverá espaços pouco preocupados com o risco que pessoas pouco qualificadas podem representar. A solução a longo prazo é, de fato, a regulamentação da atividade; a curto prazo, a solução consiste em os profissionais sérios conscientizarem seus clientes sobre isso e que os clientes passem a se preocupar mais com quem os atendem, da mesma maneira como o fariam com um médico.

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