Massagem x sacanagem

Há um tempo que, infelizmente, massagista se transformou em sinônimo de profissionais de outra categoria. Cada vez mais foi aumentando o número de anúncios em jornais e até mesmo em folhetos fixados em locais públicos de supostas massoterapeutas que oferecem muito mais do que uma massagem. Isso não seria um problema não fosse pelo fato de gerar uma grande confusão a respeito dos profissionais sérios da área de massagem.

Toda massagista mulher (principalmente as mulheres), mais cedo ou mais tarde, passará pela constrangedora situação de ver seu trabalho confundido com algo mais; de receber alguma solicitação de outro nível; de ter de responder a perguntas maliciosas ao telefone ou mesmo de sofrer algum tipo de assédio no atendimento. Normalmente, fala-se no famoso “happy end”, mas há também o tal “complemento” (“Você faz algum complemento na massagem?”). Alguns homens julgam, por vezes, que oferecendo um pagamento superior poderão obter esse complemento, sem entender que a questão não é dinheiro, mas profissionalismo. Cada um com sua profissão e o que lhe compete. A função do massagista é trabalhar no corpo do cliente de maneira a tratar alguma dor quase sempre de ordem muscular e/ou tensional. Entretenimento e prazer não são de sua alçada.

Por conta de possíveis constrangimentos e da probabilidade de um assédio, muitas massagistas mulheres se recusam a atender homens, principalmente se no local estarão somente ela e o cliente. Não digo que todos os homens sejam mal intencionados. Mas infelizmente os que buscam um tratamento sério são prejudicados por aqueles que veem na situação uma forma de obter algo mais.

Como diferenciar os profissionais e não passar por uma situação vergonhosa?

1) O meio de divulgação dos atendimentos. Massagistas sérios muito dificilmente colocariam anúncio em classificados de jornal, ainda mais com a associação que isso tem hoje com pessoas que realizam programas;

2) Dificilmente massagistas/terapeutas trabalham com apenas uma técnica. Portanto, um anúncio que, por exemplo, diz “reflexologia, thai yoga massage, acupuntura” e etc. provavelmente não é de um profissional de programas (que costumam oferecer somente massagem);

3) A apresentação do trabalho da pessoa. Confira a apresentação do blog, site ou página no Facebook. Nesses endereços os profissionais costumam inserir sua formação ou outras informações sobre o que fazem. Ninguém vinculado a uma empresa e/ou escola se propõe a fazer “complementos”;

4) Na dúvida, antes de fazer qualquer proposta ou solicitação que venha a constranger ambas as partes (e antes de marcar o atendimento, por favor), pergunte ao profissional como é seu trabalho. Qual o tipo de massagem oferecida e como é realizada. Pelos detalhes você poderá identificar se trata-se de um massagista sério ou não.

E se você, mesmo sem querer, acabar se excitando durante a sessão devido ao toque? Há a probabilidade de isso ocorrer. E com homens a situação é mais complicada, pois algumas vezes não têm como esconder. Desde que isso seja uma consequência natural do toque e não uma tentativa de assédio ou constranger quem está atendendo, o massagista irá encarar o ocorrido como algo normal e ignorar a situação para não causar mais constrangimento ao próprio cliente.

Lembre-se: o fato de ter uma pessoa tocando seu corpo não lhe dá o direito de constrangê-la ou desvirtuar sua profissão. A massagem é um tratamento que visa a saúde de quem a recebe, assim como ocorre em uma sessão de fisioterapia. A ocorrência maior de toques e contato é simplesmente a maneira de o tratamento ser aplicado. Como disse no começo, cada profissional com o que lhe cabe. E se o toque que você busca tem outra conotação, tenha respeito e bom senso e procure os profissionais dedicados a isso.

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